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Não é fácil ser mulher no Brasil

Professor "Cadu" é Biólogo, Cirurgião-Dentista, Mestre em Microbiologia, Doutor em Geologia Regional, Professor EBTT no Instituto Federal de São Paulo - Campus Votuporanga

Já imaginou ganhar menos do que seu colega de trabalho ao exercer a mesma função, com o mesmo tempo de serviço, possuindo a mesma qualificação profissional? É injusto ou não?

O que acha de, ao exercer um direito legal de afastamento no serviço para atender um motivo mais do que nobre, e, ao retornar ao trabalho, receber a carta de demissão?

Pense no pesadelo e no trauma ocasionados ao ser assediado sexualmente, sofrer ameaças ou violência sexual, como estupro, por exemplo, ou correr o risco de ser assassinado ao caminhar pela rua ou em sua própria casa?

Terrível não é mesmo? Pois as mulheres brasileiras estão sujeitas a todos esses tipos de abusos e injustiças no país, e isso não é ‘mimimi’ de feministas, como alguns obtusos de plantão gostam de postar nas redes sociais, tentando amenizar ou subestimar esses graves problemas sociais e, ao mesmo tempo, desmerecer aquelas mulheres que lutam pelos seus direitos. Os números relativos a esses casos são derivados de levantamentos realizados por importantes institutos de pesquisa e instituições oficiais

De acordo com pesquisa publicada em março de 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no mundo do trabalho as mulheres ganham 20,5% menos do que os homens. Houve leve queda nessa diferença entre 2012 e 2018, mas, mesmo assim, a porcentagem permanece alta.

Com relação à violência sofrida pelas brasileiras, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) manifestou preocupação em nota, publicada no último dia 04 de fevereiro, chamando a atenção do elevado número de assassinatos de mulheres no Brasil nas primeiras semanas do ano de 2019. Segundo a Comissão, 126 mulheres foram assassinadas nesse curto período, além de 67 tentativas de homicídio.

No estado de São Paulo, o número de feminicídios (quando a vítima é assassinada pela condição de ser mulher) subiu 26,6% em 2018, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública. Um levantamento realizado pelo Ministério Público daquele estado revelou que, em quase metade dos casos (48%), o crime foi cometido pelo ex-companheiro que não aceitou o fim do relacionamento. Um traço cruel dos adeptos da cultura do machismo no país, que tratam a mulher como propriedade de seu marido ou companheiro.

Ainda no quesito violência de gênero, 42% das mulheres brasileiras dizem que já sofreram assédio sexual, de acordo com pesquisa publicada pelo instituto Datafolha, no ano de 2017. Um terço delas relataram já ter passado isso na rua, e um quinto, no transporte público (de vez em quando sai nos noticiários casos absurdos de homens que ejaculam em mulheres no interior de ônibus e trens suburbanos).

O estupro, uma das mais graves vertentes da violência contra a mulher, também exibe seus números superlativos no Brasil. A edição de 2018 do Atlas da Violência revelou que houve, naquele ano, 135 estupros de mulheres por dia no país e, detalhe, é bem possível que o número verdadeiro seja bem maior, uma vez que apenas 10% a 15% dos casos são reportados às autoridades. Além do estupro ser um crime hediondo, mais absurdo ainda é a cultura, que viceja no país, na qual culpa a mulher estuprada dessa barbaridade. Sim, isso mesmo! Há pessoas que acreditam que algumas mulheres são estupradas por causa da sua vestimenta ou porque “incitou” o agressor. Estupro é crime, em qualquer circunstância, em qualquer ocasião. É injustificável e monstruoso

E as mulheres negras, além da violência, também estão sujeitas ao preconceito racial. Em dez anos, o homicídio de mulheres negras aumentou 15,4% e de não negras diminuiu 8%, de acordo com dados do Atlas da Violência de 2018.

Ter um filho é um sonho ostentado por muitos casais. A maternidade é um evento marcante no matrimônio, mas, além disso, é um direito das mulheres que, muitas vezes, suscita uma injusta punição no trabalho. Metade das mulheres que tiram licença-maternidade não está mais no emprego um ano após o início do benefício, segundo um estudo publicado, em 2017, pela Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Uma covardia, uma crueldade e uma injustiça contra as mulheres que se afastam, temporariamente, do trabalho ao exercer um direito motivadas por uma causa mais do que nobre, que é dedicar-se à gestação e aos cuidados maternais despendidos ao recém-nascido em seus primeiros meses de vida.

Com tanta injustiça praticada contra elas, é admirável perceber a força das mulheres brasileiras que lutam pelos seus direitos, sem baixar a guarda e sem perder a esperança.

Elas merecem todo respeito e admiração, pois não é fácil enfrentar tantas adversidades, não é fácil ser mulher no Brasil.

 

OBS: se alguém souber de algum caso de violência contra mulheres pode denunciar ligando, gratuitamente, no número 180, pois em briga de marido e mulher se mete a colher SIM, pois você pode evitar uma violência maior, talvez até um feminicídio. Nunca subestime ou amenize um caso de agressão contra as mulheres!

 

Carlos Eduardo Maia de Oliveira é Biólogo, Cirurgião-Dentista, Mestre em Microbiologia, Doutor em Geologia Regional, Professor EBTT no Instituto Federal de São Paulo – Campus Votuporanga
[email protected]

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