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Escola da fartura

Zé Renato é professor de Filosofia da UniJales

Nem tomou posse, próximo presidente já dá sinais de que o quadriênio vindouro será de horror e gargalhadas.

Faltam quatro nomes para compor seu ministério: Didi, Dedé, Mussum e Zacarias

Entre afirmações e negações, idas e vindas, certezas de incertezas, nacionalista,convidou um colombiano para ministro da Educação. De pronto, este “meteu a colher” no debate da tal “escola sem partido”. Deu uma amaciada. Como o “patrão”, sem afirmar ou negar nada, sem dizer p… nenhuma.

Partido é uma parte. As partes compõem o todo. Somente há o todo, se houver as partes. Sem um, não há o outro. Isso é dialética, termo que o presidente eleito se enroscou. Não soube explicar. Disse, talvez, por achar chique

Vamos lá.

Um partido representa o pensamento, a ideologia, a vontade de parte de uma sociedade. Por isso é partido.

Ora, quando prevalece a vontade, a opinião de um só grupo, ou de uma parte da sociedade, é o quê? Ditadura.

A Escola como instituição, cuja função é construir e difundir o conhecimento, é, por excelência, lugar de debates, de discussão, de dúvidas, de enfrentamentos e oposições de ideias, de confrontos. Isso é exercício daquilo que genericamente chamam de cidadania.

Vale lembrar que a formação moral, ética, se for o caso, religiosa, é de responsabilidade da família. Todavia, a formação acadêmica, intelectual, é tarefa dos professores.

Outro detalhe: o mundo mudou. Felizmente. Avança em descobertas científico-tecnológicas, em ideias e concepções.

Os temas que afligem a humanidade são os mesmos. No entanto, por razões morais ou falsas, por repressão, por ignorância, não vinham à baila

Com efeito: desde que o mundo é mundo, há a homossexualidade. Existem casais de mesmo sexo. Contudo, sempre foram banidos do convívio. Discriminados e tratados como criminosos. Como os leprosos na idade média, como os ditos “loucos” na modernidade. Trancafiados e escondidos.

Desde que a humanidade existe, aborta-se.

Entendam, não estou a defender essa ou aquela posição. Apenas pontuo o problema.

Não estou a fazer juízo de valor. Apenas juízo de realidade. Existem.

A moral é algo mutável, de acordo com culturas e processo histórico, modificam-se. É particular, específica de um povo, de uma cultura, de um momento histórico. Varia de povo, região e momento da História

Os costumes, hábitos, modificam-se. Rapidamente. Cada vez mais.

Lembremos: há a agilidade da fibra óptica, da internet, Assim, como se diz: o mundo ficou menor.

Portanto, é imperativo que entendamos: os valores de várias culturas mesclam-se, produzindo hábitos e costumes muito diferentes daqueles aos quais estávamos acostumados. Os jovens são curiosos. Onde buscarão informação e conhecimento?

Em casa é muito incomum. Haja vista que na maioria dos lares, os pais possuem um grau de escolaridade inferior ao dos filhos. Além de ser comum uma ausência de conversa entre pais e filhos, no sentido de os responsáveis não quererem ou não saberem abordar determinados temas com seus rebentos.

A quem fica a tarefa?

Evidente, à Escola.

Se ela não o fizer, quem o fará?

O padre? O pastor? O Presidente?

Não é tarefa da Escola a formação?

Entendo: os professores são acusados de doutrinadores. Se todos os professores fossem, seus interesses ideológicos prevaleceriam

Os “partidos de esquerda” venceriam todas as eleições.

Não é o que ocorre. Ao contrário.

Se me perguntarem se acredito que exista professores que fazem doutrinação, respondo que há. Todavia, alguns. Esses são péssimos profissionais. Porém, a educação não é composta apenas de profissionais ruins.

Maus e bons profissionais existem em todos os ofícios.

Vale salientar: aqueles professores que fizeram e fazem campanhas para os candidatos dos que detêm o poder, não são questionados ou admoestados. Não é doutrinação também?

No caso da Educação a solução não é calar à força, denunciar e perseguir.

Isso é fascismo!

Se há falha na formação dos professores, e há, a razão é a negligência, a omissão, o cinismo do poder público, em eximir-se de sua responsabilidade. É política de poder.

Quando se fala em escola sem partido, ao contrário, o que se quer, é a doutrinação, o partido único, a voz do mandante. A sujeira varrida para debaixo do tapete

Na Escola já há a falta de quase tudo: material, formação, salários decentes, estrutura, apoio do poder público, amparo ao trabalho sério.

Enfim: se retirar-se o direito à opinião, ao debate, à propagação de ideias, ao esclarecimento, o que sobra?

Assim, a “fartura” estará completa.

Faltará o cérebro.

A história, implacavelmente, cobrará.

 

Zé Renato é professor de Filosofia da UniJales
[email protected]

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