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Sobre meninos, meninas e o Oscar

Zé Renato é professor de Filosofia da UniJales

Que tempo esquisito! Sem brilho, sem sonhos, opaco, insípido, inóspito.

Não faz muito tempo, a noite do Oscar era incomum. Com algumas idiotices, momentos marcantes, todavia, era diferente.

Foi encurtado. Havia muita embromação.

O último, encarnou os tempos de Trump-bozão: um certo ranço, um ar cinza.

Basicamente, foi tempo de protesto, de críticas diretas e indiretas.

Ainda se é obrigado a combater aquilo que não deveria existir e existe: racismo, homofobia, ódio às mulheres, exclusão. Foram prêmios relativamente óbvios. Ainda que, a meu ver, havia mais de uma obviedade em disputa no mesmo quesito. O melhor filme não posso opinar. Não o vi. Bohemian Rhapsody é lindo. Roma é arrebatador. Quero assistir Green Book e Infiltrado na Klan. Nasce uma Estrela, acabarei por vê-lo, porém, de antemão, afirmo: a versão com James Mason é melhor. Pantera Negra, perdoe-me, é uma bobagem. Chato e pueril

O prêmio de melhor diretor foi para Afonso Cuarón – por Roma -, difícil contestar. Embora entenda que em termos políticos – essa cerimônia foi muito marcada nesse sentido -, caberia laurear Spike Lee.

Melhor ator foi para Rami Malek. Escolha política? Possível. Havia somente pesos-pesados concorrendo. No entanto, sua performance foi perfeita.

A escolha de melhor atriz foi para Olivia Colman. Entre a diva Glenn Close, a relativamente surpreendente Lady Gaga, a desconhecida e talentosa Yalitza Aparício e a chata Melissa McCarthy, foi correta a opção. Afinal, trata-se de uma atriz.

Muito se comentou acerca da atuação de Lady Gaga. Recordo-me, Dexter Gordon, gênio do saxofone, fora indicado como melhor ator, ao interpretar “Dale Turner” no sublime “Round Midnight” de Bertrand Travenier. São casos similares: ambos representaram, em alguma medida, a eles próprios.

Querem um exemplo maior? Fernando Ramos em Pixote. Os prêmios de ator e atriz coadjuvantes foram “naturais”? Mahershala Ali (negro com ascendência muçulmana) e Regina King (negra). Friso: não estou a contestar as escolhas em termos técnicos, apenas enfatizo o caráter político nos plúmbeos tempos do babacão presidente. Melhor filme estrangeiro? Certeiro: Roma. Melhor roteiro: Green Book. Óbvio. Melhor roteiro adaptado: “Infiltrado na Klan”. Prêmio de consolação a Spike Lee. Dono de obra vigorosa. Merecedor, há muito, de um Oscar. Detalhe: deu pit na hora das premiações

Trilha sonora foi para o bobo – minha opinião -“Pantera Negra”.

Canção original: Nasce uma Estrela. Amarga compensação, para àqueles que esperavam mais.

Quanto aos prêmios técnicos: Bohemian Rhapsody dominou.

Por fim: O retorno de Mary Poppins foi um fracasso. Para aqueles que esperavam mais.

Foi uma cerimônia, como diria o bozão, mais enxuta. Carregaram nos discursos políticos, eu gosto. Equívocos e injustiças à parte… já fizeram pior: ignoraram ‘Cidadão Kane’

Zé Renato é professor de Filosofia da UniJales
joserenatostb@hotmail.com

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