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A Ditadura da Beleza

Professor "Cadu" é Biólogo, Cirurgião-Dentista, Mestre em Microbiologia, Doutor em Geologia Regional, Professor EBTT no Instituto Federal de São Paulo - Campus Votuporanga

Todos já viram aquelas imagens do tipo ‘antes e depois’. Se forem aquelas de clareamento dental, espera-se que a segunda contenha uma arcada proeminente contendo dentes branquinhos e brilhantes. Se for um paciente que se submeteu a algumas sessões de aplicação de botox, certamente a primeira imagem conterá um rosto com mais rugas e vincos, em contraste com a segunda, na qual aparecerá uma face com pele lisinha e esticada, aparentando mais jovialidade. Quando uma pessoa adere a regimes radicais e perde bastante peso, é comum postar nas redes sociais fotografias vestindo peças de roupa antigas com vários números acima do manequim atual. O sujeito demonstra orgulho e felicidade por conquistar um corpo mais magro

Mas a australiana Taryn Brumfitt decidiu inovar. Postou no Facebook duas imagens – na do “antes” ela aparecia magra, com músculos bem definidos e um corpo esculpido por meio de muita malhação e submissão a um regime alimentar draconiano; na foto do “depois”, aparece com alguns quilinhos a mais e, como ela mesma disse, com uma silhueta normal que quase todas as mulheres possuem, um corpo que ela passou a respeitar, sem demandar sacrifícios desumanos.

A postagem rapidamente “viralizou” nas redes sociais em todo mundo, alcançando 100 milhões de visualizações, o que a tornou uma celebridade mundial da internet.

Taryn, após dar à luz três filhos, viu o seu corpo mudar drasticamente e ficar bem distante dos rígidos padrões da ditadura da beleza. Teve que ouvir comentários maldosos a respeito disso. Por causa dessa experiência, pensou que sua felicidade dependia de um corpo mais magro. Ela até conseguiu esse resultado, mas por meio de muito sacrifício e sofrimento que, posteriormente, concluiu não valer a pena. Voltou ao antigo estilo de vida, ganhou alguns quilos, sem necessariamente ficar obesa, e tornou-se uma pessoa menos ansiosa, satisfeita com sua aparência e confiante.

Por isso, passou a militar pela causa do amor ao próprio corpo, criou o movimento “Body Image Movement” (Movimento da Imagem Corporal, em tradução livre) e lançou uma campanha de financiamento coletivo que arrecadou recursos destinados à viabilização do documentário “Embrace”, no qual conversa com mulheres de diversos países e faz uma crítica aos exageros propagados pela indústria da moda e da beleza.

De acordo com dados desse documentário, 91% das mulheres no mundo estão insatisfeitas com o corpo. Já o Relatório Global de Autoconfiança Feminina, encomendado e divulgado no ano de 2016 pela marca de cosméticos Dove (pertencente à companhia transnacional Unilever), revelou que 92% das mulheres brasileiras afirmam abrir mão de atividades importantes, tais como sair com amigos ou entrar em um clube, por exemplo, quando se sentem insatisfeitas com a própria aparência. O impacto disso na autoestima é devastador, pois 66% das brasileiras não estão satisfeitas com o que veem no espelho e, por isso, não se sentem seguras para defender suas opiniões ou tomar decisões importantes. Ademais, 92% das mulheres já deixaram de se alimentar corretamente ou tomaram alguma atitude que colocou a saúde em risco na tentativa de emagrecer e se aproximar do ‘padrão de beleza estabelecido’

Também são bem conhecidos dois transtornos alimentares muito sérios e que estão diretamente relacionados à ditadura da beleza: a anorexia (a pessoa não se alimenta com medo de engordar, emagrecendo drasticamente e deixando o corpo com aparência esquelética) e a bulimia (quando, compulsivamente, o indivíduo come grandes quantidades de alimento e depois, arrependido, tenta eliminar o que foi ingerido por meio de vômitos provocados e ingestão de laxantes).

De acordo com especialistas, são duas doenças que, sem tratamento, podem ocasionar consequências gravíssimas. No caso da anorexia, o paciente pode vir a óbito e, da bulimia, sofrer de câncer no esôfago em razão dos vômitos que podem alterar a mucosa (parede interna) desse órgão. As pessoas acometidas por esses problemas necessitam muito da atenção dos familiares e de tratamento urgente

É claro que a obesidade não faz bem à saúde, mas a magreza esquelética preconizada pelos atuais padrões de estética, muito menos. Nesses casos, é importante ter autoestima, aceitando o corpo como ele é, com todas as suas belezas e defeitos.

Ter autoestima também é dar valor à natural diversidade de tons de pele, cor dos olhos, tipos de cabelos, e não idolatrar, exclusivamente, o modelo europeu que nos foi imposto, aquele que valoriza, em demasia, o cabelo loiro e os olhos claros. Ter autoestima é ter autoconfiança, sem se importar com os julgamentos alheios. Ter autoestima é ter confiança na vida. Ter autoestima é deixar as frivolidades de lado e gastar o tempo e energia com aquilo que realmente tem valor: sua família, seus amigos e os bons momentos passados com todos eles, como bem fez a australiana Taryn Brumfitt

 

Carlos Eduardo Maia de Oliveira é Biólogo, Cirurgião-Dentista, Mestre em Microbiologia, Doutor em Geologia Regional, Professor EBTT no Instituto Federal de São Paulo – Campus Votuporanga
edumaiaoli@yahoo.com.br

2 Comentários

  1. Olha eu aqui passando novamente, Estou acompanhando seu Blog que é Maravilhoso! Essas informações tem me ajudado bastante e acredito que outras pessoas também. Sou grata. Sucesso Sempre!!

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