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A cultura nunca foi tão necessária

Professor Cadu é Biólogo, Cirurgião-Dentista, Mestre em Microbiologia, Doutor em Geologia Regional, Professor EBTT no Instituto Federal de São Paulo - Campus Votuporanga

Ficar em casa por semanas e distante do convívio social pode ser enlouquecedor, no mínimo, bastante entediante.

O que as pessoas estão fazendo para passar o tempo ao ficarem muito tempo em casa durante essa pandemia? Consumindo os produtos da cultura e da arte, como filmes, ‘lives’, canções, séries, novelas, documentários, livros etc

Os artistas e os escritores não estão na linha de frente de combate ao COVID-19, como os médicos e os enfermeiros, mas estão ajudando as pessoas a ficarem em casa (principal recomendação das autoridades médicas à população a fim de prevenir a transmissão do novo coronavírus).
O carismático humorista e escritor Gregório Duvivier, em seu programa semanal “Greg News”, exibido no canal HBO, destacou alguns dados interessantes a respeito do tema: o canal de “Streaming” Netflix ganhou, no primeiro trimestre de 2020, quase 16 milhões de novos assinantes (fonte: portal Meio & Mensagem, 22 de abril de 2020); a busca por conteúdo ao vivo na internet, no Brasil, como músicas e as populares “lives”, aumentou cerca de 4.900% durante a quarentena (fonte: revista Exame de 23 de abril de 2020); no Reino Unido, a procura por livros cresceu cerca de 33% em relação ao mesmo período de 2019 e as vendas online aumentaram 400% na comparação com o ano passado (fonte: portal Nexo, 14 de abril de 2020).

Muitos países reconhecem a importância da cultura, especialmente nesses tempos atuais. O ministério da Cultura da Alemanha informou que ‘vai ajudar financeiramente instituições culturais independentes e profissionais criativos freelance’. A ministra da Cultura do governo alemão, Monika Grütters, declarou que a ‘indústria cultural alemã’ é uma importante fonte de renda e empregos, gerando receitas anuais de mais de 111 bilhões de dólares, sendo mais valiosa do que a indústria química e o setor financeiro naquele país (fonte: portal Nexo, 21 de março de 2020).

Detalhe: a Alemanha é a maior potência econômica da Europa e suas empresas do setor químico estão entre as mais importantes e poderosas do mundo.
Além da Alemanha, França e Reino Unido apoiaram a cultura por meio de subvenções e benefícios a pequenas empresas e empreendedores individuais. No Equador, o governo remunera artistas de menor renda para apresentarem seus espetáculos em suas casas e a transmissão para o público se faz por meio da internet (fonte: portal Nexo, 21 de março de 2020).
Na cidade de São Paulo, a prefeitura destinou cerca 10 milhões de reais ao projeto “Janelas de São Paulo”, nos quais artistas fazem apresentações musicais em janelas e sacadas com transmissão pela internet, uma ideia inspirada nas cantorias realizadas por cidadãos italianos durante a pandemia em suas sacadas e que “viralizaram” nas redes sociais (fonte: portal Nexo, 21 de março de 2020).

O governo brasileiro, por meio da sua Secretaria da Cultura (aqui, o Ministério da Cultura foi rebaixado a categoria de Secretaria), anunciou medidas para ajudar trabalhadores do setor durante os meses de desaceleração econômica por causa da pandemia. No dia 20 de março, Regina Duarte (atual secretária da Cultura do governo federal) anunciou três providências de projetos culturais que utilizam recursos de fundos setoriais, entre elas ‘um formato de avaliação mais flexível na prestação de contas da proposta. Ideias tímidas se comparadas a de outros países’ (fonte: portal Nexo, 21 de março de 2020)

Cabe destacar um detalhe importante que entristece quem gosta de arte: a falta de uma homenagem ou ao menos de uma nota da Secretaria da Cultura do governo federal em referência a grandes artistas que morreram, recentemente, por motivos diversos, como o cantor Moraes Moreira, o ator Flávio Migliaccio, o escritor Rubem Fonseca e o compositor Aldir Blanc (compôs a famosa canção “O Bêbado e a Equilibrista”, imortalizada na voz de Elis Regina, dentre outras).

Homenagear um artista importante é uma forma de reconhecer a sua obra que o aproximou do grande público. Homenagear um artista ou escritor de relevância é destacar a sua imortalidade na memória popular. Homenagear um artista, um escritor, um cantor ou um compositor é agradecê-lo por ter nos emocionado e nos divertido com as suas criações e interpretações. Nada mais justo!

A propósito! Como forma de homenagem ao grande cantor e compositor Moraes Moreira que nos deixou no último dia 13 de abril, vítima de infarto, reproduzo nesse artigo o seu último post na rede social Instagram: parte da letra do cordel chamado “Quarentena”, composto por ele no dia 17 de março de 2020 (já durante o período da pandemia).

 

Eu temo o coronavírus
E zelo por minha vida
Mas tenho medo de tiros
Também de bala perdida
A nossa fé é vacina
O professor que me ensina
Será a minha própria lida

 

Assombra-me a pandemia
Que agora domina o mundo
Mas tenho uma garantia
Não sou nenhum vagabundo
Porque todo cidadão
Merece mais atenção
O sentimento é profundo

 

Eu não queria essa praga
Que não é mais do Egito
Não quero que ela traga
O mal que sempre eu evito
Pois os recursos modernos
Estão aí, acredito…

 

O que vale é o ser humano
E sua dignidade
Vivemos num mundo insano
Queremos mais liberdade
Pra que tudo isso mude
Certeza, ninguém se ilude
Não tem tempo, nem idade

Viva a Cultura! Ela nunca foi tão necessária! Parabéns aos artistas, músicos e escritores que nos ajudam a diminuir a ansiedade e o tédio gerados por essa reclusão domiciliar importante na prevenção da COVID-19!
OBS: confira abaixo o cordel “Quarentena”, na íntegra!

Carlos Eduardo Maia de Oliveira é Biólogo, Cirurgião-Dentista, Mestre em Microbiologia, Doutor em Geologia Regional, Professor EBTT no Instituto Federal de São Paulo – Campus Votuporanga
edumaiaoli@yahoo.com.br

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